Uso de "gato" avança entre ricos e empresas, diz concessionária

As ligações clandestinas de energia elétrica, que sempre foram associadas a pessoas de baixa renda, estão cada vez mais comuns em empresas e casas de grande porte.

Relógio medidor da empresa Energisa, concessionária de energia
elétrica em Mato Grosso (FOTO: ALAIR RIBEIRO)
Fiscalizações realizadas nos dias 17 e 18 de julho, pela concessionária Energisa, detectaram sete estabelecimentos comerciais na Grande Cuiabá com suspeita de fraude no medidor. Três aparelhos foram apreendidos somente neste dia.

“Antigamente, quem praticava ligações clandestinas eram pessoas de baixa renda. Mas nos últimos dois anos, a incidência de irregularidades em comércio, indústria e casas de grande porte cresceu muito”, disse o gerente de Combate a Perdas da Energisa, Sidney Tavares. Ele, no entanto, não soube precisar qual o percentual de "gatos" realizados em imóveis de alta renda e empresas. 

Dados divulgados pela concessionária Energisa, no entanto, mostram que das 160 mil unidades consumidoras fiscalizadas pela empresa desde o início do ano, em 13,4 mil foram constatadas alguma irregularidade.

Considerando esse mesmo período, a perda proveniente de furto de energia da Regional Metropolitana corresponde a 40% de toda a demanda do Estado. Seria o suficiente para atender a cidade de Várzea Grande durante cinco meses

O gerente conta que as ligações clandestinas ocorrem de duas formas: irregularidades no medidor, quando o proprietário da casa troca o medidor de energia, ou ligação de energia direta na rede. 

“Ambos os modos podem gerar prejuízos à segurança tanto de quem faz quanto a de vizinhos. Têm um risco grande de formação de faíscas e incêndios. E ainda tem o dano à estabilidade da rede, que deixa a região mais suscetível a acidentes e compromete o desempenho”, diz o gerente.

As fiscalizações foram realizadas em parceria com a Polícia Civil, Militar e a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), em um termo de cooperação técnica, onde as instituições trabalharão juntas no combate às ligações clandestinas.

A Politec é responsável pela análise dos aparelhos recolhidos após as denuncias de ligações clandestina. Comprovada a alteração, o usuário é notificado e responde criminalmente pelo ato.

“As ligações clandestinas são uma ‘falsa economia’. O consumidor que for pego cometendo esse tipo de crime responde criminalmente e depois tem que ressarcir todo prejuízo causado à Energisa”, disse Sidney.

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