Sistema de BO passa a ter campo de vínculo entre vítima e suspeito


A partir de agora, os boletins de ocorrência (BOs) confeccionados em Mato Grosso contam com o campo de vínculo para preenchimento do relacionamento entre a vítima e o suspeito. A inclusão foi feita pelo setor de Tecnologia da Informação (TI) da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) no Sistema de Registro de Ocorrências Policiais (SROP), utilizado por policiais militares e civis, na última semana.

A expectativa da Câmara Temática de Defesa da Mulher é que a medida contribua para a elucidação dos casos de feminicídio, especialmente com relação à violência doméstica e familiar. Desde novembro de 2017, a inclusão desde campo no SROP está entre as demandas do grupo, criado pela Sesp e que conta com representantes de diversos órgãos de defesa dos direitos da mulher.

A preocupação se justifica pelos dados da Coordenadoria de Análise e Estatística Criminal (CEAC) da Sesp-MT, que apontam 38 vítimas de homicídio doloso entre janeiro e maio de 2018 em todo o estado. Deste total, preliminarmente 60% (a maioria) tiveram motivação passional, 16% a apurar, 10% por envolvimento com drogas, 8% outros, 3% por vingança e 3% por rixa.

“A partir das atuais modificações no sistema de registro de ocorrência, obteremos um melhor monitoramento sobre a violência contra a mulher em Mato Grosso em todos os desdobramentos, já que passaremos a extrair dados mais consistentes em relação a autoria, vínculos de parentesco, circunstâncias do evento. Estes elementos são de crucial importância na análise criminal, inclusive para a consecução de políticas públicas que visem à diminuição do índice de criminalidade, nos casos de feminicídios e outros tipos penais no âmbito da violência doméstica”, frisou a titular da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM) de Cuiabá, Jozirlethe Criveletto, que responde pela presidência da Câmara.

Segundo a delegada, agora será possível tratar a violência contra a mulher no estado de forma mais específica no que diz respeito à estatística criminal. “A partir do aperfeiçoamento no sistema poderemos, por exemplo, determinar o número exato de vítimas de crimes patrimoniais, crimes sexuais, e crimes contra a vida praticados apenas no âmbito da violência doméstica. Isso permite que sejam traçados diagnósticos mais precisos e, consequentemente, o planejamento de ações de acordo com a realidade observada”, acrescentou.

Crimes em geral

A medida está em consonância com o Sistema Nacional de Segurança Pública (Senasp) e vai auxiliar não só os casos de violência contra a mulher, mas também a investigação de crimes em geral, conforme ressaltou o titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), André Renato Gonçalves. “Com certeza, é uma ferramenta importante que vai facilitar e melhorar muito o trabalho investigativo, pois o vínculo entre a vítima e o suspeito, em muitos casos, pode direcionar e até elucidar o caso”.

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