Água do Rio Cuiabá piora na capital, mas continua boa em Rosário Oeste e região


Responsável pelo abastecimento de água de boa parte da população de Cuiabá e Várzea Grande, o rio Cuiabá apresenta altos valores de coliformes totais e de bactéria Escherichia coli (E. coli). Além disso, trechos localizados dentro do perímetro urbano das duas cidades, especialmente no São Gonçalo Beira Rio, na capital, estão sob forte influência da mancha urbana, e, por isso, estão com padrões de qualidade de água ruins.

Resultados como estes constam no relatório de monitoramento da água superficial elaborado e divulgado, ontem, pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT). O objetivo é avaliar a qualidade das águas dos rios mato-grossenses. As análises feitas de 2015 a 2017.

Segundo o monitoramento, as regiões hidrográficas Amazônica e Araguaia-Tocantins apresentaram melhora dos Índices de Qualidade da Água (IQA), enquanto na bacia do Paraguai há uma tendência de deterioração da qualidade das águas. Entre elas, a do rio Cuiabá. “Os resultados encontrados demonstraram uma piora na qualidade da água do rio Cuiabá”, aponta. “Esse resultado demonstra uma tendência de deterioração da qualidade d’água desses rios durante o período estudado, sobretudo, nos meses chuvosos”, acrescenta.

Ao todo, o monitoramento foi feito em 81 estações (regiões) espalhadas por todo território mato-grossense, sendo a bacia Tocantins-Araguaia foi a única a apresentar um ponto com classificação ótima, enquanto a bacia Amazônica apresentou mais ocorrências consideradas boas, totalizando 79 episódios.

Para a região hidrográfica do Paraguai, monitorada em 36 estações, o relatório apontou um predomínio de ocorrências regulares, apresentando alta densidade de Escherichia coli, alta concentração de fósforo, turbidez e baixos valores de pH e oxigênio dissolvido. “Tais índices revelam que a deterioração das águas da região, que teve 10 ocorrências classificadas como ruim no período, é ocasionada principalmente pela forte influência das áreas urbanas por conta do lançamento de esgoto não tratado e destinação inadequada dos resíduos sólidos”.

O monitoramento mostra ainda que desde de 2015 a sub-bacia do Cuiabá deixou de apresentar estações com classificação boa. Em 2016, à jusante do Córrego São Gonçalo, por exemplo, foi classificado como ruim, “demonstrando claramente o efeito das pressões antrópicas do perímetro urbano da capital sobre a qualidade da água do rio”.

Entre as regiões consideradas boas, estão “Marzagão” e a jusante, em Nobres, “Ponte, em Rosário Oeste, Acorizal e Passagem da Conceição, em Várzea Grande. Já as consideradas regulares estão a região dos córregos Barbado e Mané Pinto, Ribeirão dos Cocais, Praia do Poço, na capital, além da jusante em Barão de Melgaço.

Outro importante canal que corta a capital, o Rio Coxipó também apresentou altos valores de nitrogênio total, fósforo total, coliformes totais e E. coli ao longo do período estudado. “Os resultados demonstraram ainda que dentro do perímetro urbano de Cuiabá, o Rio Coxipó também apresentou padrão de qualidade de água inferior ao padrão observado à montante do município de Cuiabá. Essa estação foi classificada como ruim em vários meses durante o período estudado, devido principalmente aos altos valores de E. coli e fósforo total”, traz o estudo.

Em Rondonópolis (210 quilômetros ao sul de Cuiabá), o Rio Vermelho encontra-se em situação semelhante, com altos valores de sólidos totais, nitrogênio total, fósforo total e coliformes totais, especialmente dentro do perímetro urbano da cidade. “Durante os três anos consecutivos estudados essa estação foi classificada como ruim, devido aos altos valores de E. coli, fósforo 91 91 total e turbidez, demonstrando a influência do processo de urbanização sobre a qualidade da água do Rio Vermelho”, aponta.

O documento recomenda ações de intervenção sejam planejadas e executadas para solucionar o problema emergente, que pode comprometer os usos múltiplos da água e a saúde da população. \"Os recursos hídricos estão para o meio ambiente assim como o sangue está para o organismo humano. A situação é reversível e com base nessas informações, em uma iniciativa inédita, vamos traçar uma agenda conjunta com os municípios e órgãos de controle para solucionar esta questão\", destaca o secretário de Estado de Meio Ambiente, André Baby, por meio da assessoria de imprensa.

O secretário destaca também que “não há gestão eficiente do que não se conhece e que o monitoramento feito pela equipe de recursos hídricos da Sema é ferramenta essencial para que os gestores municipais formulem políticas públicas e tomem decisões”. Assim, a pasta garante que vem atuando no fortalecimento dos Comitês de Bacias Hidrográficas (CBH\'s), para que a população participe da gestão dos recursos hídricos, tendo mais poder para solicitar aos gestores municipais mais atenção para a importância do saneamento ambiental.

Neste estudo, foram analisados 26 parâmetros físicos e químicos e dois biológicos. Sendo que os parâmetros pH, condutividade elétrica, oxigênio dissolvido, temperatura do ar e da água foram determinados ainda em campo com auxílio de sondas portáteis. Os outros parâmetros foram determinados em laboratório.

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