Ex-secretário tinha poder e influência em governo para manter contrato fraudulento, diz primo de governador

Em uma ligação via WhatsApp com o empresário e sócio da EIG Mercados Ltda (antiga FDL), José Ferreira Gonçalves Neto, o advogado Pedro Jorge Zamar Taques, que é primo do governador Pedro Taques (PSDB), confirmou que o irmão dele e ex-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, ainda tem influência na atual gestão, mesmo não ocupando mais cargo público no Executivo.

Em investigação, MP sugere que Paulo Taques (à esquerda), primo do governador Pedro Taques (PSDB) (à direita), teria inflência no Executivo (Foto: Lucas Ninno/Gecom-MT)
Os três foram alvos da Operação Bônus, deflagrada na quarta-feira (9) em continuidade à Operação Bereré, que investiga suspeita de fraudes e desvio de verba do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), segundo o Ministério Público Estadual (MP-MT), em Cuiabá.

A transcrição da conversa gravada consta no pedido de prisão preventiva feito pelo MP e deferido pelo desembargador José Zuquim Nogueira, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), no último dia 8.

Na conversa, Pedro Jorge Taques expõe a suposta e atual influência do irmão dele no governo para manter o contrato da empresa EIG com o Detran, mesmo após ter deixado o cargo ocupado no primeiro escalão.

A afirmação é feita por Pedro após o empresário alegar estar "desesperado" com a possibilidade de fim do acordo que existia com o governo.

O advogado afirma que Paulo Taques deve obedecer a algumas restrições e "pisar em ovos", após ter sido investigado no esquema de interceptações ilegais que foi operado pela Polícia Militar entre os anos de 2014 e 2015, mas que irá conversar com o irmão para ver o que ele poderia fazer.

Transcrição conversa via ligação feita pelo whatsapp entre os investigados (Foto: Reprodução)
Participação no esquema

Paulo e Pedro Jorge Taques estão entre os presos na quarta-feira (9) por determinação do desembargador José Zuquim Nogueira, durante a operação Bônus, por supostamente tentarem obstruir as investigações acerca do esquema de desvio no Detran.

Na decisão que manda prendê-los, o desembargador afirma que Paulo Taques mediou a manutenção do contrato entre a empresa usada na fraude e o governo.

Segundo consta na decisão, o ex-secretário teria recebido R$ 2,6 milhões em propina, sendo uma de R$ 1,4 milhão e outra de R$ 1,6 milhão.

Operação Bônus

A operação Bônus é resultado da análise dos documentos apreendidos na primeira fase da Bereré, dos depoimentos prestados no inquérito policial e colaborações premiadas.

A primeira fase da Operação Bereré aconteceu em fevereiro deste ano e investigava um esquema que desviou dinheiro do Detran, com o apoio de políticos, por meio de empresas de fachada.

Em nota, o governo diz que o contrato com a empresa EIG Mercados Ltda (antiga FDL), por meio da qual teriam sido desviados recursos públicos do Detran, foi rompido após a primeira fase da operação, em fevereiro, e que "tomou todas as medidas administrativas necessárias para evitar prejuízo ao erário".

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