Bebê vítima de ritual em MT tem parte de agulha retirada do abdômen

A bebê de quatro meses, que supostamente foi vítima de maus-tratos em um ritual religioso e que está internada há 49 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica da Santa Casa de Rondonópolis, a 218 km de Cuiabá, apresentou uma melhora no quadro de saúde. No ritual, três agulhas de metal foram colocadas na cabeça do bebê e uma agulha no abdômen.

Raio-X mostra agulhas na cabeça de bebê vítima de suposto ritual em São Pedro da Cipa (Foto: Divulgação)
Segundo o último boletim de saúde divulgado pelo hospital, a criança teve parte da agulha do abdômen retirada pelos médicos. Uma outra agulha, que estava no ouvido da menina, foi removida durante um procedimento cirúrgico no mês de janeiro. Dessa forma, a criança continua com duas agulhas na cabeça.

Cinco pessoas foram responsabilizadas pelos maus-tratos contra a menina, entre elas os pais da bebê. Todos continuam presos e a mãe está detida em uma unidade para menores infratores.

Conforme o pediatra Otávio Branchini, que acompanha o tratamento da menina, a equipe médica espera o próprio organismo da paciente apresentar uma reação.

“Foi retirado um pedaço da agulha do abdômen. Esse pedaço que restou não gera maiores preocupações. Mas a agulha do cérebro não tem como mexer. O acesso a essas agulhas e o caminho que vai se fazer para retirar pode lesar muito mais o cérebro do que as próprias agulhas”, declarou o médico.

A bebê está ganhando peso e crescendo, tendo uma evolução no quadro de saúde. “Estamos esperando ver se as agulhas ficam encapsuladas. O organismo pode fazer isso, ele pode encapsular as agulhas”, disse Branchini.

Médicos conseguiram retirar parte da agulha que estava no abdômen (Foto: Divulgação)
O caso

O Conselho Tutelar recebeu denúncia da equipe médica do Hospital Municipal de Jaciara, a 148 km de Cuiabá, sobre suspeita de maus-tratos contra uma menina que deu entrada na unidade. O bebê chorava muito e apresentando hematomas no couro cabeludo. No relatório médico da paciente constava ainda que, duas semanas antes, a vítima já havia estado no mesmo hospital apresentando cortes nos pés.

O bebê, na ocasião com três meses, teve as agulhas inseridas na região do tórax e na cabeça. De acordo com o delegado que investiga o caso, Marcelo Melo de Laet, todos os suspeitos negaram participação no suposto ritual.

Quatro pessoas foram presas e uma foi apreendida por envolvimento no crime: Iraci Queiroz dos Santos, de 42 anos, conhecida como Baiana, que teria conduzido o ritual; Débora Queiroz dos Santos, grávida de oito meses e filha de Iraci; Ricardo César dos Santos, genro de Iraci; Wellinton de Jesus Costa, de 28 anos, pai da menina; e a mãe da vítima, que tem 17 anos.

A menor de idade vai responder a ato infracional análogo a tentativa de homicídio e foi encaminhada ao Complexo do Pomeri, em Cuiabá. O pai da bebê, Wellinton, é suspeito de ter recebido R$ 250 para submeter a filha ao ritual.

Fonte: G1 MT
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